30 junho 2011

O AÇUCAR - FERREIRA GULLAR

Sem comentàrios, simplesmente a realidade, êêêê Brasil!

O Açúcar (Ferreira Gullar)

O branco açúcar que adoçará meu café
Nesta manhã de Ipanema
Não foi produzido por mim
Nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.

Vejo-o puro

E afável ao paladar
Como beijo de moça, água
Na pele, flor
Que se dissolve na boca. Mas este açúcar
Não foi feito por mim.

Este açúcar veio

Da mercearia da esquina e
Tampouco o fez o Oliveira,
Dono da mercearia.
Este açúcar veio
De uma usina de açúcar em Pernambuco
Ou no Estado do Rio
E tampouco o fez o dono da usina.

Este açúcar era cana

E veio dos canaviais extensos
Que não nascem por acaso
No regaço do vale.

Em lugares distantes,

Onde não há hospital,
Nem escola, homens que não sabem ler e morrem de fome
Aos 27 anos
Plantaram e colheram a cana
Que viraria açúcar.
Em usinas escuras, homens de vida amarga
E dura
Produziram este açúcar
Branco e puro
Com que adoço meu café esta manhã
Em Ipanema.

07 junho 2011

O MÁXIMO RIGOR DA "LEI"

Dizem que a arte imita a vida e a vida imita a arte, bom, independente de conteúdo “artístico” ou não das novelas globais, está corroborada a segunda afirmação: assim como um banqueiro corrupto e fraudulento da novela das oito ou nove, que se livrou da cadeia e saiu ileso e inocentado, nosso grande DANIEL DANTAS, “pobre vitima” de uma investigação “irregular” da policia federal, foi inocentado por falta de provas.
Sim, falta de provas, pois todas as provas apuradas pela PF foram consideradas ilegais, e no Brasil, país da corrupção, por mais que estas comprovassem ações ilegais ou irregulares, se não foram obtidas com o “máximo rigor da lei” (risível né), não podem ser utilizadas em qualquer processo, seja como for!
O fato é, esse que aqui escreve, já não crê em mais nada, vou virar religioso e botar tudo na mão de deus.
No mais, sem comentários.